Tatuadeira Manual
No contexto da Farmácia, ela faz parte da história do controle de biotérios e da pesquisa científica, servindo para a identificação precisa de animais de laboratório em testes de medicamentos.
Ela funciona perfurando a pele com agulhas em formato de números ou letras para aplicar uma tinta permanente. Hoje em dia ela ainda é usada nesses nichos de pesquisa e genética, mas na pecuária geral vem sendo substituída por chips eletrônicos e brincos com código de barras.
Seringa de grande volume (modelo tipo Janet) em vidro e metal niquelado, meados do século XX
Apresenta hastes de apoio laterais anatômicas e bico cônico alongado. Utilizada historicamente para procedimentos de lavagem de cavidades, administração de grandes volumes líquidos e práticas farmacêutico-veterinárias. Item integrante do acervo de memória técnica e evolução dos instrumentos de saúde.

Modelo anatômico tridimensional de uma rã
Comprada da empresa Francesa, Maison Émile Deyrolle, utilidade era permitir que os estudantes compreendessem o funcionamento dos órgãos e sistemas do corpo sem precisar recorrer a dissecações reais a todo momento.
Na história da farmácia, os anfíbios foram os principais modelos biológicos para testes de laboratório: era estudando suas reações biológicas que os cientistas descobriam o efeito de novos medicamentos, venenos e anestésicos antes de testá-los em humanos.
CURIOSIDADE: Entre as décadas de 1920 e 1960, rãs e sapos eram usados como testes de gravidez injetando-se urina feminina nos animais. Se a mulher estivesse grávida, o hormônio hCG presente na urina induzia a rã a liberar óvulos (fêmeas) ou o sapo a liberar espermatozoides (machos) em poucas horas.

Rato taxidermizado
O roedor taxidermizado pertence ao acervo didático do Museu da Farmácia da Escola de Farmácia de Ouro Preto. Peças como essa eram utilizadas no ensino de Zoologia, Anatomia Comparada e Parasitologia, permitindo que os estudantes observassem as características dos mamíferos e compreendessem sua importância para as ciências farmacêuticas. Esses exemplares também faziam parte das coleções de História Natural, fundamentais para a formação dos farmacêuticos no século XIX e início do século XX.
No caso específico da Escola de Farmácia de Ouro Preto, fundada em 1839, o acervo histórico inclui muitos animais preservados porque o ensino de Farmácia da época era muito ligado às ciências naturais. Os estudantes precisavam conhecer os animais que podiam fornecer substâncias de interesse farmacêutico, servir como modelos experimentais ou transmitir doenças.


Caderno de matérias abordadas aos alunos no ano de 1918
Este exemplar faz parte do acervo documental da Escola de Farmácia de Ouro Preto. O documento exibido, datado de 1918, detalha os programas das matérias do curso, refletindo uma fase de consolidação científica da instituição.No contexto histórico desta escola, a Zoologia não era estudada de forma isolada, mas sim como Zoologia Médica ou Aplicada, integrada à disciplina de Matéria Médica.
O foco era a identificação de animais que forneciam substâncias para a produção de medicamentos (como a cantárida ou o óleo de fígado de bacalhau) ou que eram de interesse toxicológico e parasitológico.
LINK COM A ATUALIDADE:
O acervo da Escola de Farmácia de Ouro Preto demonstra a evolução da profissão farmacêutica no Brasil. Instrumentos antigos, vidrarias, equipamentos de laboratório, livros, documentos e exemplares anatômicos mostram que, no passado, o farmacêutico era responsável pela manipulação de medicamentos e precisava dominar conhecimentos de Química, Botânica, Anatomia e Toxicologia.
Museu da Farmácia ·
Atualmente, embora muitas atividades sejam realizadas com tecnologias modernas e medicamentos industrializados, a base científica da profissão permanece a mesma. O estudante de Farmácia continua aprendendo essas disciplinas fundamentais, mas também desenvolve competências em Farmácia Clínica, Assistência Farmacêutica, análises laboratoriais, pesquisa, inovação e cuidado direto ao paciente.
Escola de Farmácia
Dessa forma, visitar o acervo permite compreender que a profissão evoluiu sem perder sua essência: promover o uso seguro e racional dos medicamentos e contribuir para a saúde da população. O passado preservado no museu ajuda a entender a importância da formação científica, ética e humanizada exigida do farmacêutico na atualidade.
A EVOLUÇÃO DAS FORMAS MEDICAMENTOSAS COMEÇA COM PÍLULAS
Antes do surgimento dos comprimidos, as pílulas eram uma das principais formas farmacêuticas. Os medicamentos eram misturados a um espessante até formar uma massa homogênea e moldável, que era dividida com o auxílio dos piluladores e, posteriormente, esferonizada para padronizar seu formato. Como não possuíam revestimento, era comum que apresentassem sabor desagradável, levando ao uso do douramento com pó ou folhas de ouro para mascará-lo. Além disso, folhas de ouro em formato de capacete eram empregadas no tratamento da erisipela, uma infecção bacteriana que afeta os vasos linfáticos.
Das minas de Vila Rica às Pílulas: quando a mineração também servia à Farmácia
O ouro extraído na antiga Vila Rica, atual Ouro Preto, teve aplicações que iam muito além da mineração e da riqueza econômica, sendo amplamente empregado na prática farmacêutica. Entre seus principais usos estava o douramento das pílulas, técnica utilizada para mascarar o sabor desagradável dos medicamentos e torná-los mais agradáveis ao paciente. Além disso, preparações à base de ouro, como o óleo de ouro, eram empregadas no tratamento de feridas, enquanto instrumentos confeccionados com esse metal eram utilizados em procedimentos terapêuticos. O ouro em pó também era recomendado para o tratamento de evacuações excessivas decorrentes da ingestão de mercúrio, evidenciando a importância desse metal na história da farmacologia e da farmacotécnica.
Com os avanços da farmacotécnica, os piluladores foram gradualmente substituídos pela produção de comprimidos e cápsulas gelatinosas, que oferecem maior precisão, estabilidade e facilidade de fabricação. Apesar disso, as pílulas esféricas ainda são utilizadas em alguns medicamentos, como determinados anticoncepcionais hormonais. Atualmente, comprimidos e cápsulas são as formas farmacêuticas mais comuns, coexistindo com diversas outras apresentações desenvolvidas para atender às necessidades da indústria farmacêutica e dos pacientes. A mudança radical feita em relação às pílulas até o momento, fora a forma de sua produção. O formato foi pouco utilizado até o momento, porém não é provável que se caia em desuso futuramente.
FARINHA, TAPIOCA E GELATINA: O PROCESSO DE TRANFORMAÇÃO DAS CÁPSULAS
Com o passar do tempo, as pílulas foram cedendo espaço para os comprimidos e, posteriormente às cápsulas gelatinosas. A hóstia farmacêutica foi a primeira versão do que hoje conhecemos como comprimido, assim , fora uma das primeiras formas de encapsular medicamentos. Além disso, ela foi também a precursora das cápsulas de gelatina. Produzida com amido ou farinha, água e açúcar, era utilizada para acondicionar medicamentos sólidos, mascarar o sabor desagradável dos fármacos e facilitar a deglutição. O medicamento era colocado em moldes de diferentes tamanhos, conforme a dose necessária, e a hóstia era selada. Devido à sua composição, precisava ser armazenada em ambiente úmido para evitar o ressecamento. Esse método permaneceu em uso até a introdução da produção industrial de cápsulas.
A evolução das hóstias farmacêuticas culminou no desenvolvimento das cápsulas de gelatina, que aprimoraram a proteção dos fármacos e se tornaram uma das formas farmacêuticas mais utilizadas até os dias atuais. As cápsulas de gelatina possuem ranhuras para a liberação de ar (são pequenos relevos na cápsula) e mecanismos de vedação que são seguros e, suportam o preenchimento das máquinas de alta velocidade. Assim, diferente das cápsulas amiláceas, as cápsulas gelatinosas possuem mais resistência ao meio externo e, suas condições de armazenamento são mais favoráveis que as das cápsulas amiláceas. A gelatina utilizada para sua fabricação é conhecida como GRAS, que é 100% bovina e, devido a sua formulação pode ser utilizada para medicamentos sensíveis ao calor. As cápsulas gelatinosas não permitem o fator da oxidação, devido a sua baixa interação com o elemento. Porém, tal como as cápsulas amiláceas, a gelatina também possui o intuito de disfarçar o sabor do remédio e facilitar a deglutição.
Nem só de animais se fabricam cápsulas: Da alternativa animal à alternativa vegetal
As cápsulas de gelatina continuam sendo uma das formas farmacêuticas mais utilizadas devido à sua eficácia. No entanto, debates éticos sobre o uso de gelatina de origem animal têm impulsionado o desenvolvimento de cápsulas vegetais. Além de atenderem a diferentes escolhas de consumo, essas cápsulas reduzem o risco de reações alérgicas, como a síndrome de alfa-gal, tornando-se uma alternativa promissora para o futuro da indústria farmacêutica.
O MISTICISMO SE TORNANDO TECNOLOGIA : TRANSIÇÃO DO JACARÉ PARA AS NANOCÁPSULAS

Instrumento utilizado para prensar rolhas de cortiça em frascos de medicamentos. Amplamente empregado entre os séculos XIX e XX, garantia o fechamento seguro e a conservação do conteúdo
Nas boticas, a conservação do medicamento era tão importante quanto o seu preparo, sendo que, como falamos anteriormente, algumas medicamentosas necessitam de cuidados extremos devido à sua composição. O prensador de rolha era um instrumento muito utilizado nas boticas para criar rolhas para tapar frascos dos medicamentos. A rolha é umedecida e colocada no prensador de acordo com o formato que se desejava obter e, em seguida colocada nos frascos a serem comercializados. O formato de jacaré era para afastar os maus espíritos, que , na época acreditava-se que eram os grandes causadores da deterioração do medicamento e causadores das doenças. Contudo, com o passar do tempo e com novas formas de medicamento, esta via de armazenamento já não está mais em uso devido a existência de métodos mais eficazes.
O jacaré empalhado e as crenças das boticas
Nas antigas boticas, era comum pendurar jacarés empalhados no teto como forma de afastar os maus espíritos, que se acreditava serem responsáveis pelas doenças e pela deterioração dos medicamentos. Assim, animais exóticos eram vistos como símbolos de proteção contra energias negativas.
A conservação dos medicamentos atualmente é algo que está além de ações realizadas pela indústria, sendo também, o paciente responsável por boas práticas de armazenamento para que o fármaco tenha o efeito desejado. Esse cuidado envolve o que denominamos de “uso racional de medicamentos “, sendo utilizado pelo fabricante e paciente. Atualmente são utilizados conservantes químicos como antioxidantes como o ácido ascórbico encontrado na vitamina C. Além disso, temos conservantes antimicrobianos como o benzoato de sódio sendo utilizado em xaropes e fármacos diluídos em um meio líquido. Porém, tal como as cápsulas de gelatina foram e são utilizadas por um grande período de tempo, os frascos de Âmbar para proteção contra raios UV e umidade continuam a ser utilizados. Contudo, ainda temos a utilização de embalagens especiais em blister que auxiliam na conservação do medicamento.
O desenvolvimento da nanotecnologia permite a melhoria nos meios de conservação dos medicamentos. Dispositivos nanoestruturados que visam liberar o medicamento de forma controlada já estão sendo estudados e aplicados no mercado. O encapsulamento em nanocarreadores auxilia na redução da toxicidade, uma vez que previne picos de altas dosagens. As nanocápsulas, que fazem parte desses dispositivos nanoestruturados, ao realizarem a liberação controlada do medicamento, evitam a necessidade de uma segunda ou terceira dose. Portanto, o desenvolvimento dos meios de conservação caminha junto à nanotecnologia, visando à minimização dos riscos na administração dos medicamentos e à melhoria de sua conservação. Vale ressaltar que algumas cápsulas polimerizadas possuem proteção térmica, reduzindo as exigências de armazenamento


