As Primeiras Décadas

Os currículos e programas de ensino preservados pela Escola de Farmácia de Ouro Preto revelam uma história que ultrapassa o tempo. Mais do que documentos acadêmicos, registram a construção do conhecimento, as transformações da formação farmacêutica e o compromisso permanente da instituição com a educação e a ciência.

Desde sua fundação, em 1839, a Escola acompanhou as mudanças da profissão e da sociedade por meio da renovação de seus currículos. Das primeiras disciplinas voltadas às ciências naturais aos avanços da Química, da Farmacologia, da Microbiologia e de outras áreas, cada documento evidencia como o ensino se adaptou às necessidades de sua época sem perder de vista sua missão formadora.

Reunidos nesta página, esses registros preservam a memória de gerações de estudantes e professores, conectando passado e presente. Ao atravessarem o tempo, os currículos revelam não apenas a evolução da educação farmacêutica, mas também a permanência dos valores que fizeram da Escola de Farmácia de Ouro Preto uma referência na formação de profissionais e na produção do conhecimento.


Livro de Matrizes e Grades Curriculares – Escola de Farmácia de Ouro Preto: Documento oficial que registra a organização curricular do curso de Farmácia, apresentando a distribuição das disciplinas e do plano de estudos vigente no período de 1904. O livro evidencia a estrutura da formação acadêmica da época, permitindo compreender a organização do ensino e as bases da educação farmacêutica nas primeiras décadas da instituição.


Livro de Matrizes e Grades Curriculares – Escola de Farmácia de Ouro Preto: Documento oficial que registra a organização curricular do curso de Farmácia, apresentando a distribuição das disciplinas e do plano de estudos vigente no período de 1908. O livro evidencia a estrutura da formação acadêmica da época, permitindo compreender a organização do ensino e as bases da educação farmacêutica nas primeiras décadas da instituição.


Livro de Matrizes e Grades Curriculares – Escola de Farmácia de Ouro Preto: Documento oficial que registra a organização curricular do curso de Farmácia, apresentando a distribuição das disciplinas e do plano de estudos vigente no período de 1923. O livro evidencia a estrutura da formação acadêmica da época, permitindo compreender a organização do ensino e as bases da educação farmacêutica nas primeiras décadas da instituição.


Livro de Programas do Exame Vestibular – Escola de Farmácia de Ouro Preto: Documento oficial que reúne as disciplinas e os conhecimentos exigidos para o ingresso no curso de Farmácia. Além de apresentar as orientações para a matrícula, o documento detalha as competências e os conteúdos cobrados no exame de vestibular de 1932, evidenciando os critérios de seleção e o perfil acadêmico esperado dos candidatos à época.


Caderno de Anotações e Estudos Acadêmicos – Escola de Farmácia de Ouro Preto: Registro manuscrito produzido entre 1894 e 1897, que reúne anotações de aulas e estudos sobre Farmacologia, com destaque para a preparação de medicamentos e a identificação de impurezas e falsificações de substâncias. O documento também registra a rotina acadêmica da Escola, contendo a relação nominal dos estudantes, o controle de frequência, justificativas de faltas, menções a feriados, períodos de luto oficial e interrupções das atividades por reformas no laboratório. As anotações foram assinadas pelos lentes Jovelino Mineiro e Levindo Coelho, responsáveis pela condução das cadeiras e das atividades de ensino.

Substâncias utilizadas nos estudos de falsificação:

Hidrolato de Valeriana: Preparação obtida pela destilação a vapor das raízes da Valeriana officinalis, o hidrolato de valeriana conserva compostos hidrossolúveis e pequenas quantidades dos constituintes aromáticos da planta. Historicamente, era empregado por suas propriedades calmantes, sendo utilizado para aliviar estados de ansiedade, nervosismo e insônia, promovendo o relaxamento.


Iodeto de Mercúrio Amarelo (Mercury Iodide Yellow): Amplamente utilizado na terapêutica do século XIX, o iodeto de mercúrio amarelo era prescrito no tratamento de doenças de pele, afecções renais e, sobretudo, da sífilis. Embora considerado um importante recurso farmacêutico da época, seu uso apresentava elevado risco de toxicidade, podendo provocar intoxicação crônica por mercúrio em decorrência da exposição prolongada.


Sulfato de Cinchonina: Sal alcaloide obtido da casca de espécies do gênero Cinchona, o sulfato de cinchonina possui estrutura química semelhante à do quinino. Foi empregado historicamente no tratamento da malária, integrando o conjunto de medicamentos derivados da quina utilizados no combate às doenças febris antes do desenvolvimento dos antimaláricos sintéticos.


Os documentos apresentados ao longo desta seção revelam como a formação farmacêutica foi construída, transformada e preservada ao longo das gerações. Cada caderno, programa de ensino, matriz curricular e registro acadêmico guarda vestígios de seu tempo, permitindo compreender as mudanças do conhecimento científico, das práticas educativas e das necessidades da sociedade.

Mais do que testemunhos da organização do ensino, esses materiais representam a memória viva da Escola de Farmácia de Ouro Preto e de sua contribuição para a história da educação farmacêutica no Brasil. Ao atravessarem diferentes épocas, conectam estudantes, professores e saberes em uma trajetória marcada pela continuidade e pela renovação.

Assim, os itens reunidos nesta exposição reafirmam que a história da Escola vai além dos documentos que preserva: ela permanece presente na formação de profissionais, na produção do conhecimento e no legado construído desde 1839.