A farmacologia desde muitos anos está relacionada com adquirir novos conhecimentos sobre substâncias capazes de modificar funções fisiológicas, curar ou amenizar enfermidades, mas somente no século XVII e XIX que as substâncias foram isoladas e caracterizadas quimicamente quanto a sua eficácia, mecanismo de ação, segurança, etc. Assim, a farmacologia se consolidava como ciência fundamental para os cursos da área da saúde e trazia maior bem-estar para sociedade. Diante disso, a presente exposição tem como objetivo apresentar a trajetória histórica de importantes substâncias farmacologicamente ativas, contando um pouco sobre sua origem, evolução e seu desenvolvimento até os dias atuais e destacando a ação dessas substâncias no organismo, indicações terapêuticas e sua contribuição para avanços científicos
Frascos com folhas de Digitalis purpurea/lanata (Dedaleira)

Originária da Europa, a dedaleira é uma planta conhecida por suas folhas ricas em substâncias que atuam no coração. Embora seja tóxica quando utilizada de forma inadequada, seus compostos deram origem a importantes medicamentos para o tratamento de doenças cardíacas.
No século XVIII, o médico escocês William Withering estudou a planta e ajudou a estabelecer seu uso medicinal. Mais tarde, foram isoladas substâncias como a digoxina e a digitoxina, utilizadas na produção de medicamentos para insuficiência cardíaca.
Cannabis indica

Planta utilizada há séculos por diferentes civilizações para fins medicinais, religiosos e industriais. No passado, seus preparados eram usados para aliviar dores, espasmos musculares, insônia e convulsões, tornando-se um importante recurso terapêutico da época.
Embora a ciência contemporânea utilize predominantemente a denominação Cannabis sativa L., o termo “Cannabis indica” permanece de grande relevância histórica por refletir a forma como essa planta era reconhecida e empregada na prática farmacêutica durante o período em que o frasco foi utilizado.
Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss)

A espinheira-santa é uma planta medicinal nativa do Brasil, utilizada na medicina popular séculos atrás pelos indígenas da América do Sul até os dias de hoje em forma de chás, cápsulas e extratos. Suas propriedades farmacológicas envolvem a proteção da mucosa gastrointestinal e o tratamento de azia, gastrite e úlceras gástricas.
Espinheiro Alvar

O espinheiro alvar era usado, no século XX, como o principal tônico cardíaco da época, auxiliando no controle de arritmias e palpitações, redução da pressão arterial e até mesmo no alívio da ansiedade e da insônia. Atualmente seu uso é indicado como terapia complementar para insuficiência cardíaca leve, se mantendo auxiliando no controle de arritmias, hipertensão leve, estresse e ansiedade.
A principal diferença das duas épocas está na padronização, que hoje em dia garante maior segurança, eficácia e controle de qualidade.
Óleo de Chaulmoogra sólido

Foi utilizado em 1920, na colônia Antônio Diogo, como tratamento para lebra. Diante do desespero esse óleo era considerado a esperança para curar a enfermidade, mesmo que em alguns casos houvesse uma piora no quadro do paciente. Depois de muitos estudos, percebeu-se que ele não curava, mas sim auxiliava na cicatrização das camadas superficiais da pele, por isso, atualmente é usado para cuidados dermatológicos. Sua consistência sólida pode ser explicada por diversos fatores químicos, sendo um deles a presença de uma extensa cadeia carbônica de ácidos graxos, mas sua composição ainda é um mistério.
Quina

Originária da América do Sul, a quina foi utilizada inicialmente pelos povos indígenas andinos no tratamento de estados febris. No século XVII, missionários jesuítas levaram seu uso para a Europa, onde a planta ficou conhecida como “casca dos jesuítas” e revolucionou o combate à malária, doença que limitava a ocupação de regiões tropicais. O isolamento da quinina, em 1820, por Pierre Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou, marcou um dos primeiros sucessos da química farmacêutica ao identificar e purificar um princípio ativo vegetal. Na Farmacologia, representa um marco na obtenção de fármacos de origem natural e no desenvolvimento da terapêutica antimalárica.
Aspirina

Desenvolvida a partir de estudos com salicilatos presentes em plantas medicinais, como o salgueiro-branco (Salix alba), a aspirina foi sintetizada em 1897 pelo químico Felix Hoffmann, da empresa Bayer. Sua comercialização inaugurou uma nova fase da indústria farmacêutica, baseada na produção de medicamentos sintéticos em larga escala. Durante a pandemia de gripe espanhola (1918–1919), tornou-se um dos medicamentos mais utilizados para aliviar febre e dores, consolidando sua presença na prática médica. Atualmente, possui ação analgésica, antipirética, anti-inflamatória e antiplaquetária, sendo um dos principais exemplos da evolução do conhecimento químico e farmacológico aplicado à terapêutica moderna.
Adrenalina

A adrenalina é um hormônio e neurotransmissor naturalmente produzido pela medula da glândula suprarrenal. Isolada no início do século XX por pesquisadores que buscavam compreender o funcionamento do sistema nervoso simpático, rapidamente passou a ser empregada na prática clínica. Seu uso transformou o tratamento de emergências médicas, como anafilaxia, crises asmáticas e parada cardiorrespiratória, tornando-se indispensável em hospitais e serviços de urgência. Além disso, seus estudos contribuíram para o desenvolvimento de diversos medicamentos que atuam sobre receptores adrenérgicos, consolidando a adrenalina como uma das substâncias mais importantes para a farmacologia moderna.